sexta-feira, 18 de março de 2011

3º Teste (2º Período) - Resposta à Pergunta 5 (2, Grupo II)

   No poema é apresentada uma oposição entre um "interior" e um "exterior" do ser, sendo que, de acordo com o sujeito poético, devemos mostrar-nos apenas como queremos que nos vejam, ou seja, devemos mostrar o que há de bom e o melhor que temos em nós.
   O sujeito poético compara o ser e a essência de cada um com um jardim, na medida em que existem flores "risonhas", e outras ervas "pobres." Relativamente ao que os outros vêem, ou seja, nos locais onde o jardim é visível, devemos colocar apenas as flores mais "risonhas", devemos mostrar apenas o que queremos que os outros vejam, representando assim o exterior. Quanto ao interior, o local do jardim que ninguém vê, não devemos por nada, ou seja, devemos deixar as flores que vêm do chão crescer, e as ervas naturais medrar. Por outras palavras, devemos permitir ao nosso interior que cresça e se desenvolva sozinho, mesmo que nasçam algumas ervas daninhas! Todos temos as nossas inseguranças e as nossas imperfeições. Não podemos evitar que estas surjam, mas podemos controlar o que queremos mostrar aos outros, podemos mudar o modo como os outros nos vêem.
   Assim, a oposição entre o "interior" e o "exterior" consiste, na minha opinião, numa espécie de "balança do sujeito", uma vez que todos nós precisamos de equilíbrio na nossa vida, e para isso não nos podemos preocupar apenas com um dos "pratos" da balança. Devemos mostrar o que queremos com base não só no que somos, mas também com base no que os outros fizeram de nós.

Diana Carreto

3º Teste (2º Período) - Resposta à Pergunta 4 (1, Grupo II)

   A palavra de abertura deste poema é a palavra "Cerca", que surge quase com um tom imperativo, sendo, assim, uma marca de uma "instrução", uma regra de funcionamento.
   Para Fernando Pessoa, o que está além do muro, para além da curva da estrada, representa tudo o que é sedutor para ele, tudo aquilo que ele só consegue atingir no sonho, fugindo da realidade. Assim, "ordena" que tudo aquilo com que sonhamos seja cercado de grandes muros, ficando assim guardado o que temos de melhor, aquilo que ambicionamos ser e onde ambicionamos chegar.
   Desta forma, esta "instrução" pode ser considerada como um conselho, na medida em que, ao cercarmos as nossas ambições e os nossos sonhos, poderemos chegar onde queremos com uma maior "facilidade", mas sempre sem nos esquecermos de quem somos realmente. Devemos guardar aquilo que sonhamos ser, pois essa sim é a nossa verdadeira essência.

Diana Carreto

3º Teste (2º Período) - Resposta à Pergunta 3

   O poeta termina o poema com a estrofe "O Rio da minha aldeia não faz pensar e nada. /Quem está ao pé dele está só ao pé dele". A partir do estudo feito nas aulas, sabemos que Alberto Caeiro desvaloriza o pensar com a razão, valorizando as sensações, que são os seus pensamentos, bem como o real objectivo, a vida no presente.
   Ao olharmos para a última estrofe, imediatamente nos ocorre que o rio não faz pensar em nada pelo simples facto de se valorizarem apenas as sensações e aquilo que se observa, sem usar a razão. No entanto, se olharmos para a passagem de "Notas para a recordação do meu Mestre Caeiro", podemos ver algo mais. Alberto Caeiro, pelo simples facto de se basear naquilo que vê, torna-se numa pessoa pura, numa pessoa que desvaloriza a criação de ideias a partir da razão, ideias essas que podem alterar a verdadeira realidade e a verdadeira natureza, que representa a pureza. Associando a pureza à brancura (branco é a cor da pureza), isto torna-se mais importante do que o que vemos simplesmente. No caso de Alberto Caeiro, vemos apenas uma cara pálida, mas que se transforma em algo extremamente belo e puro visto do interior, e isso sim é algo majestoso e digno de ser admirado.
   Relacionando tudo isto com o rio que corre na sua aldeia, podemos concluir que o rio não faz pensar em nada devido à sua pureza, que por si só ultrapassa todas as sensações e pensamentos. "Quem está ao pé dele está só ao pé dele", da mesma maneira que quem vê Alberto Caeiro vê só uma cara pálida. É preciso sentir realmente o que o rio transmite para chegar ao seu ponto fulcral de brancura, para atingir o máximo de sensações, e só assim o Rio será digno de ser admirado.

Diana Carreto

3º Teste (2º Período) - Resposta à Pergunta 2

   Na terceira e quarta estrofes são referidos os traços distintivos entre o Rio Tejo e o rio que corre na aldeia do poeta. Relativamente ao Tejo, o sujeito poético refere factos concretos, factos que todas as pessoas sabem. Assim, é dada uma menor importância ao Rio Tejo, aparecendo este em contraponto com o rio da sua aldeia, devido às diferenças existentes.
   Relativamente ao rio que corre na sua aldeia, este tem uma maior importância por menos gente o conhecer, por ninguém saber de onde vem nem para onde vai. Se pensarmos neste rio como a vida do sujeito poético, temos então uma vida vivida apenas no presente, onde o sujeito não sabe para onde vai nem de onde vem. Já no caso do Rio Tejo, este refere-se à vida monótona das pessoas que se limitam a conhecer o rio apenas pelos seus dados geográficos, e não pelo que o rio representa realmente. Toda a gente sabe que o Tejo desce de Espanha e entra no mar em Portugal, mas só sabem porque pensaram, porque procuraram razoes em algo que deveria ter apenas existência e não significado. Assim, o rio que corre na sua aldeia é mais livre e maior pois pertence apenas àqueles que através das sensações e daquilo que observam conseguem amplificar o seu sentido e significado, não racionalizando aquilo que vêem.
   Tudo isto é referido na terceira estrofe, ao passo que na quarta é referido o que existe para além do Tejo, bem como as pessoas que conseguiram atingir esse "além". Por sua vez, nunca ninguém pensou no que há para além do rio que corre na sua aldeia, uma vez que Alberto Caeiro, ao contrário de Fernando Pessoa, não tem a necessidade de ver sempre o que está além, para ele o que é real é sedutor. Já Pessoa tem a necessidade de fugir para o sonho para encontrar o que é sedutor. Assim, o Rio Tejo representa a perspectiva de Fernando Pessoa, no sentido em que o que é sedutor para as pessoas cujas conclusões se baseiam na razão é a fortuna, é o que está "além". Já para Caeiro, o real objectivo basta, e, assim, nunca ninguém pensou no que está "além", as sensações bastam.

Diana Carreto

3º teste - 11.02.2011 - resposta 2

   O rio Tejo parte de Espanha e desagua em Portugal, abre-nos as portas para o mundo e constrói-nos o início da viagem para o lado oposto do oceano - a América. Porém, em relação ao outro rio de que fala o poema, sabe-se que atravessa a aldeia do sujeito poético e que nada mais se sabe sobre ele, nem onde "nasce" nem onde "desfalece". É um rio que pouca gente conhece e mesmo aqueles que o conhecem nada conhecem realmente porqueo rio daquela aldeia "não faz pensar em nada".
   É dito, ainda, que este rio que ninguém conhece e que pertence a pouca gente "é mais livre e maior" do que o Tejo, o qual é amplamente conhecido e pertence a muitas mais pessoas, desde as espanholas às portuguesas.
   Sabemos que Alberto Caeiro é um poeta sensacionista que acredita que toda a verdade reside nas sensações e que o pensamento é uma grande farsa. O pensamento existe apenas para destruir a verdadeira essência das coisas uma vez que a reflexão sobre elas induz uma interpretação pessoal. Esta interpretação é algo que não é visível e é algo que recorre à fusão do real com a imaginação. Como o pensamento não é mais do que o fruto da nossa imaginação, a única conclusão que podemos tirar de tudo isto é que a realidade corresponde somente àquilo que captamos através das nossas sensações.
   Ainda para mais, pode ser dito que "pensar" é um acto de "auto-emprisionamento", ou seja, o pensamento restringe-nos à interpretação que fazemos das coisas e prende-nos na dimensão da farsa que criámos. Somos impedidos de ser livres e de dar liberdade às coisas sujeitas à nossa reflexão. Por essa razão, o rio que atravessa a aldeia, no qual não reside pensamento algum, "é mais livre e maior" do que o rio Tejo.


Jéssica King, nº12

Resposta à pergunta 3.1 do 1ºTeste (2ºP)

Aberto Caeiro, como já foi descrito na questão anterior é um poeta que interpreta o mundo através do olhar, os seus poemas seguem um contexto simples, o que revela a sua paixão pela natureza. Apresenta-se ainda como um poeta do Presente recusando a introspecção e a Subjectividade, através de sensações consegue transformar algo abstracto em concreto.
É um poeta que recusa guiar-se pelo pensamento, negando assim a sua utilidade, é capaz de viver sem racionalizar. Alberto Caeiro afirma que deve-se ver com os olhos e não com a mente (mais uma vez verifica-se a importância dos sentidos, a importância do olhar). Através da sua simplicidade, consegue ver um mundo sensível onde se revela o divino, onde não necessita de pensar, sublima ainda o real, divinando então a natureza.
Como recusa a utilizada do pensamento, “ o rio da minha aldeia não faz pensar em nada” pois ele apenas o sente através do olhar e por ser um poeta objectivo e realista, escreve no último verso “quem esta ao pé dele, está só ao pé dele”, o que revela uma vez mais que, Aberto Caeiro como poeta, e ao contrário de Fernando Pessoa como Ortónimo ou ao contrário dos outros seus Heterónimos, não possui necessidade para intelectualizar ou problematizar algo tão simples, como algo que simplesmente permanece diante do próprio olhar. Isto porque este Poeta, repito neste texto novamente, afirma que: ver é compreender e tentar compreender pelo pensamento ou pela razão é não saber ver. 


Joana Ariosa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Síntese do capítulo IV de Memorial do Convento

Neste capitulo há a apresentação de um novo personagem: Baltasar, o “Sete-Sóis”
Baltasar Mateus, é um homem de 26 anos, mais conhecido como "o Sete-Sóis". É um excluído da guerra, por perder a sua mão esquerda numa batalha contra Espanha na chamada Guerra da Sucessão (1704-1712). Regressado a Portugal, Baltasar pelas poucas economias que tinha guardado no seu tempo enquanto soldado, torna-se um mendigo, e vive de esmolas em Évora. No entanto nesta época, o Alentejo era uma zona muito pobre onde se vivia na miséria, e Baltasar ao ficar a saber que o exército já não vinha ajudar esta província decide partir para Lisboa.
Com o dinheiro proveniente da esmola, Baltasar consegue pagar um gancho e um espigão de ferro, que encomendara a um ferreiro. O gancho, para lhe substituir as funcionalidades da mão amputada e o espigão servia-lhe como arma de defesa. Baltasar pouco os utilizava, primeiro porque se apercebia que recebia menos esmola e segundo por sofrer da chamada dor do membro fantasma, em que o indivíduo amputado sente dor ou comichão no membro que já não tem. No entanto na sua viagem para Lisboa, vai dar uso ao seu espigão, ao matar um homem de dois que o tentaram roubar.
Baltasar na sua viagem passa por Montemor, Pegões e em Aldegalega apanha uma embarcação que o irá levar a directamente a Lisboa. Chegado a Lisboa, encontra-se num dilema, não sabe se regressa a Mafra onde tem família e onde pode trabalhar, ou se fica em Lisboa a viver á custa de esmolas. Enquanto não se decide vagueia pelas ruas da capital passando pelo mercado do peixe, pelo palácio do rei (que se encontra fora a caçar em Azeitão com os seus irmãos infantes), pelo Terreiro do Paço e pela igreja da Nossa senhora da Oliveira onde assiste a uma missa. Nesse mesmo dia Baltasar conhece João Elvas, que também fora soldado, com quem passa a noite junto de outros mendigos num telheiro abandonado. Antes de dormirem ambos contam histórias de assassinatos que ocorreram na cidade, como o homicídio de uma mulher cometido pelo seu marido adúltero, ou o esquartejamento de um jovem rapariga cujos pedaços do corpo foram espalhados pela cidade. A estas mortes os ex-soldados compararam com as que presenciaram na guerra.

O narrador neste capítulo destaca, entre outros eixos temáticos, o abuso do poder e a exploração dos mais humildes. Esta perspectiva revela, pois, o olhar comprometido do narrador perante a vida e as desigualdades sociais. É criticada também a guerra: desumana e absurda, vitima homens em nome de um interesse que lhes é completamente desconhecido e abandona-os à sua sorte quando doentes.

Joana Sebastião nº7 12ºC